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        Biografia de Monsenhor João Benvegnu

  João Benvegnú nasceu a 12 de agosto de 1907, no município de Muçum(hoje Santa Teresa). Foi batizado na capela de Nossa Senhora do Rosário, da Paróquia de Santa Teresa, próxima a Bento Gonçalves, no estado do Rio Grande do Sul. Filho de Fidélis e Maria Moretti Benvegnú, vindos da paróquia de Taibon, província de Belluno, região do Vêneto, Itália, em 1898. Perdeu o pai com um ano de vida. O ambiente familiar favorecia a vocação sacerdotal, pelo clima de fé, oração diária do terço, da missa dominical, pelo exemplo dos pais. "Quando nasci - afirmou João - meu pai teria dito as seguintes palavras: Esperamos que este menino um dia seja padre".

Os Estudos

Cursou o primário na Escola Municipal, junto à Capela do Rosário. Em 1921, estudou um ano com os Padres Passionistas, em Pinto Bendeira, próximo a Bento Gonçalves. Em 1922 ingressou no Seminário Menor de São Leopoldo, denominado de Seminário Provincial. Por causa da saúde quase deixou o Seminário. Interrompeu os estudos por duas vezes: em 1927 e 1929. Muito sofrimento lhe custou a idéia de ter que deixar o Seminário. Mas as orações e a vontade firme de ser Padre o levaram a lutar pela vocação.

Em 1930, o Cônego Josué Bardin, então Pároco de São Domingos do Sul, o convidou a passar com ele uma temporada, tratando melhor a saúde. Após algum tempo, retornou ao Seminário de São Leopoldo, onde aguardava a notícia de que o Reitor não o aceitaria mais devido à falta de saúde. Graças a interferência do Mons. José de Nadal e do Cônego Cleto Benvegnú, o Arcebispo Dom João Becker se interessou pelo seminatista João que pôde continuar os estudos. Havia vencido a batalha. Finalmente em 16 de setembro de 1934 era ordenado sacerdote. Dom João Becker realizou a ordenação na Cripta da Catedral Metropolitana de Porto Alegre, sendo mestre de cerimônias o Padre Reus, professor de liturgia. "Ser Sacerdote do Altíssimo por toda a eternidade era um pensamento que me acompanhava noite e dia", diria Mons. João mais tarde.

No dia 20 de setembro  de 1934 celebrou a primeira Missa solene na terra natal, Santa Teresa.

Um grande Sacerdote

"Durante minha vida sacerdotal, sempre me senti sumamente feliz. Saboreei a alegria e a honra de ser sacerdote do Altíssimo. Disse mais de uma vez: "Não dou um minuto de meu sacerdócio por tudo o que o mundo pode oferecer de honras, prazeres e riquezas. Se tivesse que nascer cem vezes, cem vezes escolheria o sacerdócio, mesmo que me custasse mais sacrifícios do que eu enfrentei durante minha formação no Seminário. Uma eternidade não basta para agradecer. Como padre, muito me preocupo com o bem das almas. Interesso-me também pela promoção de todo homem e do homem como um todo, que compreende o bem do corpo e da alma".

Promotor Vocacional

Monsenhor João foi grande incentivador das vocações sacerdotais e religiosas. A sua paróquia foi premiada com 19 sacerdotes e dezenas de religiosos e religiosas. Ajudou sempre aos seminaristas com o apoio, o exemplo sacerdotal e com recursos financeiros, tirados de sua própria pobreza. Nunca guardou nada para si, sempre doou tudo. A devoção ao Santíssimo Sacramento o impelia a levantar-se às 4 horas da manhã para estar presente junto a seu Divino Amigo na Eucaristia.

O que alimentava a sua fé era seu espírito de oração. Diariamente rezava algumas horas, desde madrugada, caminhava de um lado para outro ao lado de sua Igreja, convencido de que dessa fonte brotava sua felicidade, alegria, humildade, desapego, doação e disponibilidade total, sempre e em qualquer circunstância.

Foi um homem de Deus. O povo o chamava de "nosso santo".

Vox populi, Vox Dei. A empregada da casa paroquial dizia que o passatempo do Monsenhor era rezar: "Ele reza muito, escreve cartas, atende visitas, dá benções para tudo o que lhe pedem".

A fama das Bençãos

Além do seu exemplo incontestável como Sacerdote humilde e dedicado que lhe conferia fama de santidade, suas bençãos começaram a chamar a atenção. Naquela época, o plantio da leguminosa Soja era muito grande e com ela vieram as pragas, a lagarta, que devorava completamente as plantações pois não havia recursos para comprar defensivos agrícolas. A solução era ir até o Monsenhor e pedir a maldição das lagartas. O Monsenhor, através da intervenção de Deus, solicitava a proteção da lavoura do solicitante e consequente eliminação das pragas que a atacavam. O fato é que os agricultores começaram a dizer que a benção resolvia o problema e a fama das bençãos do Monsenhor começou a se espalhar e atrair cada vez mais gente.

Monsenhor João nunca usou do expediente de sua fama para conseguir vantagem para alguma coisa, pois dizia que a fonte de tudo era Deus e ele era mero intermediário, num exemplo de humildade, fé e confiança no Criador.

Obras , a busca do bem estar do seu povo

A maior obra que realizou foi a evangelização do povo, construindo o Reino de Deus pela vida de oração, amor ao próximo e dedicação ao trabalho. A sua preocupação com o bem estar temporal do povo o levou a promover a construção de obras diversas. Incentivou o plantio do milho híbrido e, quando ainda não se cultivava a soja, Mons. João fazia campanhas esclarecendo sobre os benefícios desta cultura a ponto de ser iniciador de uma fábrica de óleo de soja. Incentivou a fruticultura, construiu a Casa Paroquial, o Hospital São Domingos, a residência dos médicos, uma usina hidrelétrica, o moinho colonial e uma fábrica de bolas. Foi mentor da criação da escola de 2. grau e o ginásio estadual e abriu estradas sem recursos técnicos. Em verdade, quando não existiam recursos financeiros Monsenhor usava da persuasão para fazer com que todos participassem das iniciativas. Sendo assim, o hospital foi erguido com a mão de obra do povo e as estradas abertas a custo de marretas, arados e carroças.

A voz do povo

Toda comunidade que o conhecia, julgava-o santo, mesmo em vida. Destacavam, entre outras virtudes: bondade igual para todos, humildade profunda, fé viva, alegria permanente, zelo apostólico, amor à Eucaristia; era amigo de todos, ajudava a todos, fidelíssimo ao Evangelho e à Igreja; grande espírito de oração, desapegado dos bens temporais, com doação total e permanente.

O fim da caminhada

No dia 31 de dezembro de 1985, às 17:30 o Monsenhor chegou a Sacristia para celebrar aquela que seria sua última missa. Meia hora antes de iniciar a missa o auxiliar falou com Monsenhor, que havia acabado de sair do confessionário, percebendo nele um grande abatimento. Perguntou-lhe como estava. - Eu estou mal, acho que vou morrer.- Coragem, respondeu o auxiliar, até que Deus não manda a morte, não se morre. E ele respondeu: "Estou sentindo que chega o fim". Então, olhou para o auxiliar e acrescentou: "Se eu morrer, faço mais do que vivo".

Monsenhor sempre tocava pessoalmente o sino para a Missa. Nesse dia pediu que o auxiliar tocasse, pois não sentia forças para isso. O auxiliar ajudou-o a vestir-se pois percebia que não conseguiria sozinho. Depois de ajudar a abotoar a alva, monsenhor voltou-se e disse: "Acho que é a última vez que tu me vestes, grazie, grazie". Em seguida foi ao altar para celebar a sua última missa. Rezou conscientemente. Desejou a todos um bom fim de ano e bom início de novo ano, 1986. Ao celebrar aquela missa fez ao povo as recomendações de costume. Os avisos de praxe, não conseguiu transmiti-los. Após a missa, na Sacristia, tirou os paramentos e em seguida foi para seu quarto, na entrada da Casa Paroquial, à esquerda e deitou-se sem tirar a batina e os sapatos.

Embora bastante debilitado, foram constatadas 3 úlceras no estômago sendo uma úlcera perfurada, não queria ir ao hospital de Passo Fundo, achava que deveria morrer aí mesmo, junto ao povo que o acolheu. Desmaiou ainda na cama em São Domingos, o médico o reanimou. Enfim, os paroquianos acharam melhor levá-lo a Passo Fundo, onde haveria mais recursos. Afinal, começou aquela que seria a última saída de sua paróquia. Lúcido, insistiu que o levassem de volta a São Domingos. Pressentia com clareza sua morte próxima e queria morrer no meio de seu povo, ao qual dedicou meio século de vida.

Levado para a UTI insistiu que a uma Religiosa enfermeira o acompanhasse. Perguntava: "Quando sairei daqui? fica aqui irmã".

Monsenhor João Benvegnú faleceu na UTI do Hospital São Vicente de Paula, em Passo Fundo, no dia 3 de janeiro de 1986(uma sexta-feira), exatamente às 11 horas, aos 79 anos. Sereno entregou sua bela alma ao Senhor da vida, ao qual servira sempre com grande amor.

Verdadeira multidão, vinda de toda parte, desfilou diante de seu corpo para vê-lo a última vez. Missas se sucediam continuamente, terços, orações, cantos de louvor a Deus, especialmente aqueles que o bom Pároco mais gostava.

À tarde do dia 4 de janeiro, uma multidão calculada em 10 mil pessoas enchia a igreja, a praça, as ruas até o cemitério orando, chorando, louvando a Deus pelo santo Pároco que partira para a casa do Pai.